quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A Bela e a Fera

Nos velhos tempos, quando desejar ainda ajudava, vivia um casal cujas filhas eram todas lindas, mas a caçula era tão bonita que o próprio Sol, que já viu muita coisa, fi­cava deslumbrado sempre que brilhava em seu rosto.

É assim que os irmãos Grimm começam o conto "A Bela e a Fera". Fico pensando nos velhos tempos, quando desejar ainda ajudava... É a frase mais terrível dos contos de Grimm "quando desejar ainda ajudava". Hoje os desejos já não ajudam, nada mais ajuda.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Visita ao Grupo do Recife

Estive em Olinda sábado, 14 de novembro, e encontrei o grupo BDSM da Grande Recife. Muita gente, mais de 10 pessoas. Um grupo bonito, especialmente a submissa do Metatron e a hetaira.
Tinhamos marcado para nos encontrar no bar Itapuã, mas, por causa da Lei de Murphy, o bar estava fechado por um curto-circuito. Eu deduzi onde eles estariam e os encotrei.
Gente boa e simpática, apesar de certos trejeitos pequeno-burgueses. Não há como se evitar isso, eu penso. Não sei se eles mesmos me julgaram deselegante, são diferenças culturais... Bem, de modo geral, um encontro leve e divertido com pessoas de boa vontade que não procuravam fingir ser o que não são. Eu, no geral, me senti muito bem.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Desvio


Estou de férias e por incrível que pareça (não tão incrível pra quem me conhece), desviei minha rota tranquila de Natal a Recife para o sertão da Paraíba. Sim, estou agora em pleno semi-árido paraibano. O acaso me trouxe aqui, como sempre. Estou preso aqui até sábado.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Aviso de férias


Estarei de férias nos próximos 15 dias e não deverei postar nada de novo, a não ser que algo excepcional aconteça, ou que eu ache uma Lan House (Casa de Lã) dando sopa e não tenha nada melhor pra fazer. Vou a Natal, depois volto pelo Recife. Se algo acontecer, conto quando voltar, se não, não.

PS: Vão até o fim da página e dêem comida aos meus peixinhos, sim? Obrigado.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Personalidade Patológica


Lendo um site de psicologia, descobri uma ótima descrição de mim mesmo:

Minhas características:

# Poucas ou nenhuma atividade produzem prazer.
# Frieza emocional, afetividade distante.
# Capacidade limitada de expressar sentimentos calorosos, ternos ou de raiva para como os outros.
# Indiferença a elogios ou críticas.
# Preferência quase invariável por atividades solitárias.
# Tendência a voltar para sua vida introspectiva e fantasias pessoais.
# Falta de amigos íntimos e do interesse de fazer tais amizades.
# Insensibilidade a normas sociais predominantes como uma atitude respeitosa para com idosos ou àqueles que perderam uma pessoa querida recentemente.

 Eu sou exatamente assim!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Inferno

Eu sou um homem que perdeu todas as esperanças. Eu disse isso e alguém lembrou de Dante à porta do Inferno: "Deixem toda a esperança os que aqui entram". Eu carrego o inferno dentro de mim.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Encoxadas

Quando eu estudava, eu gostava de encoxar as meninas no ônibus escolar. No começo era de raiva. O ônibus ia cheio e elas ficavam em pé perto da porta conversando, eu tinha de me apertar pra passar pro fundo. Um dia eu resolvi ficar encoxando uma delas pra ver se elas se mancavam. Encoxei uma, duas, três. Elas me denunciaram, não ao motorista ou a algum professor, mas à chefe delas. Ela disse bem alto pra eu ouvir: "ah quero ver se ele vem passar a mão em mim", fez uma cara feia e ficou bem no meio da passagem. Eu fui para a briga e encoxei a criatura, os olhinhos dela brilharam e ela passou a ser freguesa. Passei a me esfregar em todas as meninas do ônibus, as reações variavam, desde aquelas que faziam questão de se sentar na minha mão, até as que se incomodavam legitimamente.

Passei a gostar de encoxar as que se incomodavam e não só no ônibus, daí eu ter segurado em inúmeros peitinhos e bundinhas enquanto as suas donas tremiam de nervoso. Uma vez eu encoxei a menina mais tímida e feinha da turma. Ela saiu para ir ao banheiro fora do intervalo, eu sai atrás e a segui. Fiquei esperando o momento em que ela lavava as mãos e a segurei por trás. Ela me viu no espelho e ficou lívida, paralizada. Foi uma encoxadinha rápida, uns amassinhos por cima da roupa, mas o que estava em jogo não era sexo era a sensação de poder. Ela não disse nada a ninguém, eu sabia que ela não tinha amigas, sabia que ela não diria aos professores. Depois eu mandei um soneto para ela. Não sei se isso a aliviou ou a fez ficar com mais medo. Ah, como a adolescência é maravilhosa...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Plágio

Plagiando o grande Bandeira:

Estou farto do SM comedido
do SM comportado
Do SM funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. dominador

Estou farto do SM que pára e vai averiguar no dicionário o significado de um vocábulo

Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as práticas sobretudo as que tragam ereção
Todos os ritmos sobretudo os do vai-e-vem!

Estou farto do SM namorador
Apolítico
Raquítico
Mítico
De todo o SM que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto não é SM
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o SM dos loucos
O SM dos bêbedos
O SM difícil e pungente dos bêbedos
O SM das putas do velho Sade

- Não quero mais saber do SM que não é libertação.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Morte e a China

Estico o corpo, vou olhar a rua pela janela do quarto, e assim, por agora, não cuido no depois da morte. Não que eu tenha deixado de acreditar na morte, nem no depois dela, porém, isso não me importa. Olho céu e nuvens e estrelas e árvores e não lembro da alma e do inferno. Não posso negar que nada disso exista ou deixe de existir, mas essas coisas não me importam. É como a China. Nunca estive lá, nem sei se existe um lugar chamado China, ou se se trata de uma ficção que os cartógrafos teimam em reproduzir. Quem há de se fiar nos cartógrafos? Por que um geógrafo merece mais fé que um teólogo, ou que um médium? Nunca conheci cartógrafos e geógrafos, agrimensores e professores de geografia, padres e pais de santo, mas nenhum deles esteve na China, nem no inferno. Se eu conhecesse bem um chinês ou alguém que dissesse ter estado na China, tais pessoas seriam dignas de crédito? Até hoje não se duvida de Marco Polo só por ele ter estado lá? Dante não voltou do Inferno? Dante merece mais ou menos crédito que Marco Polo? Os ocidentais criaram o Oriente como meia-ficção, uma terra onde podem localizar seus sonhos, suas fábulas, sua irracionalidade. Não raro vemos alguém recorrer ao ‘pensamento oriental’ para contrapô-lo ao comezinho da razão. Diz Borges que o livro com mais fatos sobre a China que qualquer outro é Tse Yang, Pintor de Tigres escrito por David Jerusalém, um filho de Israel morto em um campo de concentração; ele podia até repetir de cór seus hexâmetros, mas seu autor nunca esteve lá. Talvez a China seja isso: um espelho onde o Ocidente se vê invertido e a geografia compactue com a farsa. Exista a China, com seus bilhões de habitantes, ou não; faz diferença para mim? Vejo telhados, casas, luzes, sombras. Ouço corujas, bacuraus e o farfalhar de carnaúbas ao vento. Sinto ser noite. Mesmo assim, posso confiar em meus sentidos? Não. Não lembro da alma nem dos chineses, mas não os nego. Nem sempre foi assim, porém. Acho que houve um tempo em que eu acreditava nas coisas, mas isso já passou e já saiu da minha memória.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Prostitutas

Eu sou antes de tudo um homem amargo e cheio da vida. Não quero amizades, envolvimentos e muito menos relações humanas. A mulher ideal para mim é prostituta. Ela procura o seu dinheiro e eu o meu prazer. Nada de parcerias, nada de agradar um ao outro, nada de ser se preocupar com o outro. Sexo sem mais nada.

Ninguém pode ter ciúmes disso. Quando a gente vai a um bordel, tanto faz pegar uma ou outra e pra elas tanto faz que a gente a pegue com outra no mesmo quarto, ela recebe o mesmo. Eu não tenho ciúmes da prostituta que saiu comigo há vinte minutos e agora está com um outro freguês. Se ela morrer amanhã, tanto me faz, e se eu morrer, ela nem vai saber.

Não preciso de amor. O amor envenena a alma. Não preciso de companheirismo. O companheirismo é a ante-sala da facada nas costas. Não preciso de palavras doces. Palavras doces ficam bem na beira de um túmulo.

O que eu sinto é um grande desejo de destruição e morte. Queria encontrar outros assim, que tenham um lado profundamente negro, que encarem a vida com indiferença e tenham ódio ao dia em que viram a luz. Preciso de alguém insensível, cuja alma esteja cheia de dor, como está a minha.